“Sem palavras”, “ridículo”, “palhaçada”… foram algumas das expressões usadas pelos internautas essa semana ao tomar conhecimento do novo aumento do D.P.V.A.T., que passou de R$183,84 referentes ao ano de 2007, para inaceitáveis R$254,67 em 2008. Uma aumento de 38% em um ano, lembrando ainda que em 2005, o imposto custava aos motociclistas R$96,00!
Parece forte, mas essa é a sensação, assalto.
O governo defende o aumento para cobrir o rombo que os acidentes de moto representam ao SUS (Sistema Único de Saúde). Cada motociclista acidentado custa em média ao governo R$2.700,00 entre resgate, pronto atendimento, tratamento, e pasmem, até o trânsito causado na via entra na conta do governo. Acontecem, em média na cidade de São Paulo cerca de 10 acidentes de motos, com média de 1 óbito diário. Se levarmos em conta que o número da frota de motos chega à 1.500.000 na região metropolitana, chega a ser uma estatística favorável.
O que acontece é que as lesões causadas por uma queda de moto são bem mais graves do que uma batida simples de carro. Qualquer queda inocente pode causar, no mínimo uma estiramento de tendão, ou uma escoriação de difícil cicatrização, o que pode levar dias em um hospital.
Isso são alegações do governo, mas você acredita em tudo que ouve?
Na década de 1960, a Volkswagen foi acusada por alguns meios de comunicação do ramo automotivo de manipular públicações de testes e comparativos de seus veículos com os da marca DKW, fazendo com que as vendas dos saudosos DKV, Vemaguet e Kandango despencassem. Quando a fábrica estava à beira de fechar as portas, a Volks arrematou à preço de banana, finalizando a produção.
Outro caso parecido aconteceu com a Dodge, que tinha o pequeno Polara como concorrente do Fusca, carro esse que foi cruelmente criticado pela mídia, tendo seus números de venda afetados. Somando-se ao infortúneo de ser atingida pela crise do petróleo, que teve seu auge no fim da década de 70, a Dodge foi obrigada a vender suas instalações para a Volks, que por sua vez, encerrou de vez a produção.
No cenário atual, temos montadoras de carros com crescimento retraído devido aos impostos altos que incidem sobre seus produtos, retração na renda do consumidor, dificuldade na locomoção individual nas grandes cidades. Cenário que favorece às motocicletas. Por terem preço muito competitivo, girando na casa de R$3.600,00 nos modelos mais populares. Motocicletas não pagam Zona Azul, não pegam trânsito e o consumo de combustível é um terço do que consome um carro popular, sem falar do transposte público ineficiente.
O mercado está em crescente aumento, com previsões para 2009 de mais de 2.000.000 de motos fabricadas no Brasil, sendo cerca de 172.000 para exportação.
Infelizmente, no Brasil, há a cultura do “automóvel”, onde o mesmo passa de simples condução à “símbolo de status”. A motocicleta, por sua vez, sempre foi um meio de tranporte muito discriminado por nossa sociedade. Nós, motociclistas, somos chamados de “baderneiros”, irresponsáveis, bandidos. Vemos nos jornais, motos usadas como meio de facilitar ações ilícitas, como roubos, assaltos, pois são de agilidade impressionante para fugas rápidas. Somos taxados, rotulados, apesar de pagarmos nossos impostos como todos os cidadãos de bem desse país, e por nossa escolha de transporte, generalizam-nos de uma forma no mínimo discriminatória.
Sociedade brasileira. Racista, xenofóbica, intolerante e hipócrita. Não vejo solução para quem se utiliza de motocicletas para se locomover. Vamos ser a cada dia mais perseguidos, humilhados, taxados, cobrados. Se não haver uma mobilização geral de nossa classe (Sim classe, pois somos irmãos motociclistas!) vamos continuar sendo roubados na cara dura por governos corruptos e subjulgados pela sociedade.
Irmãos motociclistas, uni-vos!!!!!!











